Beto Ferreira

Quinta-Feira, 1 de fevereiro de 2018



Há momentos pelos quais passamos na vida que são inacreditáveis até mesmo para nós, que os vivemos. Momentos que exigem uma reflexão instantânea, urgente, necessária e pontual. Como pode alguém, em plena saúde, praticante assíduo de atividade física (no mínimo 3x por semana), sofrer um mal súbito, um infarto? E ver, de uma hora pra outra, toda sua vida transformada? O que quase ninguém, ou pouca gente sabe, é que o infarto é a causa de morte número um no mundo. Não há nada que mate mais que ele e, ainda assim, tendemos a acreditar que isto é coisa do acaso, da sorte (ou má sorte) momentânea.

Mas, a verdade é que muitos ataques, seguidos de morte inclusive, poderiam ser evitados levando-se mais sério a questão saúde. A realização de exames periódicos, com o devido acompanhamento, pode apontar um problema que, se diagnosticado, permite evitar um mal maior, dando ao paciente um tempo maior de vida.

Com todos exames em dia, sem colesterol alto, sem diabetes, sem nada de anormal, ainda assim passei por essa luta chamada de infarto, que, no meu caso, seria mais grave, não fosse a agilidade dos companheiros de futebol, dos meus familiares e, necessariamente, dos médicos e enfermeiros envolvidos no atendimento do meu caso.

Pra quem não sabe, sofri um infarto há 4 anos, pra ser mais preciso, dia 31 de janeiro de 2014 e, é por isso que, desde então, a palavra gratidão fica estampada em meu sorriso, porque o Senhor Deus todo poderoso colocou sua mão sobre mim e me deu a vitória.

Muitos não têm a mesma sorte, não conseguem mover-se a tempo, ou dizer o necessário antes que seja tarde. Apenas não reagem mais, o infarto os tirou a vida. Como um alarme que toca dizendo a hora da partida, assim é o infarto agudo do miocárdio, que recentemente nos levou o Prof. Ubiratan de Brito, presidente do CREF MS.

Mas, a reflexão maior que fica é que, na verdade, este terrível e assustador momento – em que eu não tinha mais nada a que me apegar, quando não podia mais segurar as mão de minhas filhas e dos meus familiares, em que não podia ao menos lhes dizer “tchau, estou deixando vocês, não que eu queira, mas não há nada que eu possa fazer”, enquanto eu sentia que tudo estava se esvaindo e temia que o socorro não chegasse a tempo – estes poucos minutos poderiam ser meus últimos momentos de vida nesta terra, os últimos instantes de minha história.

Este momento crítico, em que me parecia que tudo que eu tinha na vida me estava sendo tirado, levou-me a pensar não só na brevidade da vida, mas também, no que estamos fazendo com ela.

E assim será com todos nós quando chegada a hora. Não podemos fugir, nem escapar do dia último. Ele virá e será fatal quando for a hora. Não sabemos se o fim está num virar a esquina, se na próxima viagem, no próximo sono, ou se no próximo e talvez último suspiro. A verdade é que nesta hora nossas mãos não seguram mais nada a não ser a fé que nos sustenta e nos dá forças em momentos de tragédias. E só o que podemos fazer é nos agarrarmos à fé que temos, depositada naquele que foi nos preparar lugar, até porque, como Paulo diz em I Coríntios, 15:19: “se cremos em Deus somente nesta vida somos as mais miseráveis de todas as criaturas”.

Desta vida nada se leva, tudo nos foi dado por empréstimo. Cada pessoa faz suas escolhas e vive como lhe convém, mas chega a hora (e ela chega com toda certeza!), em que você precisa soltar tudo o que está segurando, sejam coisas boas ou ruins, grandes ou pequenas, e deixar ir. Reinos construídos como se fossem perpetuar pra sempre são deixados no dia deste grande desapego.

Portanto, faça um check-up de sua vida, antes de mais nada. Pense em quantos momentos bons você tem vivido, por que são eles que vêm à memória naquele momento em que você está prestes a deixar de existir, é das pessoas que mais amamos e pra quem não tivemos tempo de dizer um último “eu te amo, obrigado por estar comigo” que lembramos naquela hora. Se sua vida tem sido só correria, pense que, talvez você não tenha nada de bom para se lembrar nessa hora, se, por acaso, o próximo for você.

Você tem o livre arbítrio de escolher acreditar ou não, preparar-se ou não, mas uma coisa é fato, o Senhor nos sustenta na hora da angústia, na hora da dor, na hora do pranto, Ele é meu refúgio e fortaleza, socorro bem presente...em todas as horas!

E, para finalizar e refletir, viva a sua vida da melhor forma possível, ela é curta e passageira, procure ser sempre feliz, sem prejudicar ninguém....Hoje comemoro mais um nascimento..Sobrevivi, graças a Deus.

Beto Ferreira.







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